Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Não, não é cansaço... - Álvaro de Campos
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quinta-feira, março 17, 2016
10º aniversário do blog
terça-feira, março 17, 2015
9º aniversário do blog
Quero viver como se o meu tempo fosse ilimitado.
Quero me recolher, me retirar das ocupações efêmeras.
Mas ouço vozes, vozes benevolentes,
passos que se aproximam e minhas portas se abrem...
Rainer Maria Rilke
domingo, março 17, 2013
escrevemos para tornar as coisas eternas
7 anos, 720 entradas e mais de 60 mil visitas depois, ainda cá andamos!
Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte. Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles. Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.
Anaïs Nin
quinta-feira, março 17, 2011
5 anos
La danse (I) - Henri Matisse
1909
Quando comecei isto nunca pensei que fosse durar cinco anos. Mais ou menos regularmente, cinco anos, quase 700 entradas e mais de 40 mil visitas depois ainda cá anda. Aquilo que começou por ser um estado de alma passou a ser uma espécie de antologia pessoal de diversas formas de arte e pensamento. Um dia encerro isto. Hoje não é o dia.
1909
Quando comecei isto nunca pensei que fosse durar cinco anos. Mais ou menos regularmente, cinco anos, quase 700 entradas e mais de 40 mil visitas depois ainda cá anda. Aquilo que começou por ser um estado de alma passou a ser uma espécie de antologia pessoal de diversas formas de arte e pensamento. Um dia encerro isto. Hoje não é o dia.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
quarta-feira, junho 23, 2010
26 Sábado 21h
EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
+bar a preço_justo
+DJ's
+desenho
+pintura
+vídeo
+instalação
+performance, ...
entrada livre
terça-feira, março 17, 2009
21 Sábado 21h

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
+bar a preço_justo
+DJ's
+escultura
+pintura
+vídeo
+instalação
+performance
+salas com salvados, protótipos, ...
sexta-feira, novembro 21, 2008
Actualização da lista de leituras...
- Entrevistas - André Breton
- Madame Bovary - Gustave Flaubert
- Poemas - Victor Hugo
- A ciganita - Miguel de Cervantes
- A queda de um anjo - Camilo Castelo Branco
- A câmara clara - Roland Barthes
- The Rotenberg Collection : Forbidden Erotica
- Quanta bondade! - Quino
sexta-feira, novembro 23, 2007
Simpatia e indiferença...
Max Jacob perguntou-me um dia por que razão eu era tão simpático para com as pessoas que pouco me importavam e tão duro com os meus amigos. Respondi-lhe que a minha bondade era uma forma de indiferença; quanto aos meus amigos, queria-os perfeitos, pelo que tinha sempre algumas críticas a fazer-lhes e desejava pô-los à prova de vez em quando, para me certificar de que os nossos laços tão sólidos como deviam ser.
Pablo Picasso
Subscrevo integralmente.. excepto o "Max Jacob perguntou-me" claro :P
segunda-feira, novembro 19, 2007
Aniversário!
Hoje faz 65 anos que o Mundo se começou a soltar dos grilhões do mais feroz do estados fascistas e começou a ganhar a Segunda Grande Guerra.
No dia 19 de Novembro de 1942 deu-se o começo da ofensiva do Exército Soviético em Estalinegrado. No fim desta, em 2 de Fevereiro de 1943, o 6º Exército Alemão ficaria cercado, vendo-se obrigado a render-se ao Exército Vermelho.
Foi em Estalinegrado que, em 28 de Junho de 1942, a Alemanha Nazi e a sua Blitzkrieg a caminho de Moscovo pararam. E foi em Estalinegrado que a Alemanha Nazi - aquela que se julgava indestrutível - recebeu o mais duro golpe que viria posteriormente, em Maio de 1945, a ditar a sua capitulação em Berlim!
Hoje, 65 anos passados, aqui fica a homenagem ao Povo Soviético, às massas de Estalinegrado que heroicamente resistiram e ao Exército Vermelho! Para que não se esqueça e não se repita!
Ficam algumas homenagens de alguns dos poetas maiores do Séc.XX à vitória em Estalinegrado e ao Exército Vermelho da União Soviética!
No dia 19 de Novembro de 1942 deu-se o começo da ofensiva do Exército Soviético em Estalinegrado. No fim desta, em 2 de Fevereiro de 1943, o 6º Exército Alemão ficaria cercado, vendo-se obrigado a render-se ao Exército Vermelho.
Foi em Estalinegrado que, em 28 de Junho de 1942, a Alemanha Nazi e a sua Blitzkrieg a caminho de Moscovo pararam. E foi em Estalinegrado que a Alemanha Nazi - aquela que se julgava indestrutível - recebeu o mais duro golpe que viria posteriormente, em Maio de 1945, a ditar a sua capitulação em Berlim!
Hoje, 65 anos passados, aqui fica a homenagem ao Povo Soviético, às massas de Estalinegrado que heroicamente resistiram e ao Exército Vermelho! Para que não se esqueça e não se repita!
Ficam algumas homenagens de alguns dos poetas maiores do Séc.XX à vitória em Estalinegrado e ao Exército Vermelho da União Soviética!
Os que humilharam o Arco do Triunfo
Os que atravessaram as águas do Sena
Com o assentimento do escravo.
Pararam em Estalinegrado.
Os que em Praga-a-Bela sobre lágrimas,
Sobre um país traído e mudo,
Passaram espezinhando as feridas,
Morreram em Estalinegrado.
Os que escarraram na caverna grega
Sobre a estalactite de cristal mutilado
E o seu tão clássico azul subtil,
Que é deles hoje, Estalinegrado?
Os que queimaram e devastaram a Espanha,
Trespassando o coração
Dessa mãe de florestas e guerreiros,
Apodrecem aos teus pés, Estalinegrado.
Os que na Holanda enxovalharam
As tulipas e a água com lama ensaguentada,
E fizeram reinar o chicote e a espada,
Dormem presentemente em Estalinegrado.
Os que na branca noite da Noruega,
Com rugidos de chacal enraivecido,
Crestaram as flores da neve,
Calaram-se em Estalinegrado.
Honra te seja pelo que vem nos ares,
Pelo que deve ser cantado e foi cantado,
Honra às tuas mães e aos teus filhos,
E aos teus netos, Estalinegrado.
Pablo Neruda
E que recebeu a mulher do soldado,
De Praga a velha cpital?
Os bons-dias e sapatos,
Ela recebeu de Praga a bela cidade.
E que recebeu a mulher do soldado,
de Varsóvia nas margens do Vístula?
De Varsóvia ela recebeu uma camisa de linho;
Tão garrida, tão estranha esta camisa polaca
Que ela recebeu das margens do Vístula.
E que recebeu a mulher do soldado,
De Oslo para lá do Sund?
De Oslo ela recebeu a gola de peles;
Oxalá lhe agrade a gola de peles
Que ela recebeu de Oslo para lá do Sund!
E que recebeu a mulher do soldado,
Da opulenta Roterdão?
De Roterdão ela recebeu o chapéu;
Fica-lhe bem o chapéu holandês
Que ela recebeu de Roterdão.
E que recebeu a mulher do soldado,
De Bruxelas na Bélgica?
De Bruxelas ela recebeu finíssimas rendas;
Ah! que bom possuir tão finas rendas
Como as que ela recebeu da Bélgica!
E que recebeu a mulher do soldado,
De Paris, a cidade-luz?
De Paris ela recebeu o vestido de seda;
As vizinhas tiveram ciúmes do vestido de seda
Que ela recebeu de Paris.
E que recebeu a mulher do soldado,
De Trípoli na Líbia?
De Trípoli ela recebeu o bracelete;
O amuleto e a pulseira de cobre
Ela recebeu-os de Trípoli.
E que recebeu a mulher do soldado,
Da longínqua Rússia?
Da Rússia ela recebeu o véu lutuoso;
O véu lutuoso para as solenes exéquias,
Ela recebeu-o da longínqua Rússia.
Bertolt Brecht
Stalingrado...
Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.
A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.
Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida.
Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder,
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.
Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos;
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas,
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!
A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,
e vence.
As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.
Carta a Stalingrado - Carlos Drummond de Andrade
Vós os vereis surgir da aurora mansa
Firmes na marcha e uníssonos no brado
Os heróicos demônios da vingança
Que vos perseguem desde Stalingrado.
As mãos queimadas do fuzil candente
As vestes podres de granizo e lama
Vós os vereis surgir subitamente
Aos heróicos prosélitos do Drama.
De início mancha tateante e informe
Crescendo às sombras da manhã exangue
Logo o vereis se erguer, o Russo enorme
Sob o sol rubro como um punho em sangue.
E ao seu avanço há de ruir a Porta
De Brandemburgo, e hão de calar-se os cães
E então hás de escutar, Cidade Morta
O silêncio das vozes alemãs.
A Berlim - Vinícius de Moraes
quarta-feira, agosto 08, 2007
Minhas palavras
Apesar de já ter escrito alguma (pseudo) poesia e prosa não me sinto à vontade para a publicar. Parecem-me mais de carácter introspectivo (no caso da poesia) ou ensaísta (no caso da prosa).
Ficam no entanto duas palavras (as primeiras e últimas) sobre o caso da miúda inglesa aqui.
E duas palavras (ou três), em resposta a uns comentários, sobre Chavez (e alguma História) aqui e aqui.
Ficam no entanto duas palavras (as primeiras e últimas) sobre o caso da miúda inglesa aqui.
E duas palavras (ou três), em resposta a uns comentários, sobre Chavez (e alguma História) aqui e aqui.
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