quinta-feira, novembro 27, 2008

Jardins da memória

Tive a coragem de olhar para trás
Os cadáveres dos meus dias
Assinalam o meu caminho e eu choro-os
Uns apodrecendo nas igrejas italianas
Ou entre os limoeiros
Que dão ao mesmo tempo e em qualquer estação
A flor e o fruto
Outros dias choraram antes de morrerem nas tabernas
Fustigados por ardentes ramos
Sob o olhar duma mulata que inventava a poesia
E as rosas da electricidade abrem-se ainda
Nos jardins da minha memória.

Tive a coragem de olhar - Guillaume Apollinaire
em O Século das Nuvens, Assírio & Alvim 2007

1 comentário:

Anónimo disse...

Apraz-me dizer...
Forte!!!
AP