Female Nude VI - Eric Gill
domingo, maio 31, 2009
sexta-feira, maio 29, 2009
Substância vermelha
Dei-te o nome da abelha,
mas tu és favo e mel,
substância vermelha
feita de sangue e pele.
Maiúsculo amor
com o sol por dentro.
Flor dentro a flor.
Centro do próprio centro.
Centro - Albano Martins
quinta-feira, maio 28, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Ver-te. Tocar-te.
II
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.
em «Do Desejo» - Hilda Hilst
terça-feira, maio 26, 2009
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
A gente vai continuar - Jorge Palma
segunda-feira, maio 25, 2009
Apenas recomeça...
Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…
Mário Quintana
domingo, maio 24, 2009
Pergunto sempre
Quando erro - e tenho errado muito - pergunto sempre: Poderia eu ter errado melhor?
José Rodrigues Miguéis
sábado, maio 23, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
Tirem o país da ficha
Este ministro é um mentiroso
que agonia quando ele discursa
e se fosse só isso: bale sem jeito
às meias horas seguidas – e não pára!
bem-aventurados os duros de ouvido
a quem o céu abrirá as portas
desliguem p.f. o microfone
ou então tirem o país da ficha
Fernando Assis Pacheco
quinta-feira, maio 21, 2009
Os meus sonhos agora são mais vagos
Eu bebo a vida, a vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu olhar eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos...
Os meus sonhos agora são mais vagos...
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno...
E a vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, amor! ... As nossas bocas juntas!...
Florbela Espanca
quarta-feira, maio 20, 2009
Cupido e Psique
Cupid and Psyche - Edvard MunchLegend
Envious and jealous of the beauty of a mortal girl named Psyche, Venus asks her son Cupid (known to the Greeks as Eros) to use his golden arrows to cause Psyche to fall in love with the vilest creature on earth. Cupid agrees, but then falls in love with Psyche on his own.
(fonte: Wikipedia)
terça-feira, maio 19, 2009
O rio e as margens
Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem
Bertolt Brecht
segunda-feira, maio 18, 2009
No breve espaço de beijar
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
O mundo é grande - Carlos Drummond de Andrade
domingo, maio 17, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009
quinta-feira, maio 14, 2009
quarta-feira, maio 13, 2009
Lascívia
E por que haverias de querer minha alma
na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas,
obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
nem omiti que a alma está além, buscando
aquele Outro. E te repito: por que haverias
de querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Hilda Hilst
segunda-feira, maio 11, 2009
Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado
Eu hei-de lhe falar lugubremente
Do meu amor enorme e massacrado,
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.
Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado,
Chamar-lhe minha cruz e meu calvário,
E ser menos que um Judas empalhado.
Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário
E desvendar-lhe a vida, o mundo, o gozo,
Como um velho filósofo lendário.
Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso,
Os pegos abismais da minha vida,
E hei-de olhá-la dum modo tão nervoso,
Que ela há-de, enfim, sentir-se constrangida,
Cheia de dor, tremente, alucinada,
E há-de chorar, chorar enternecida!
E eu hei-de, então, soltar uma risada.
Cesário Verde
domingo, maio 10, 2009
sábado, maio 09, 2009
sexta-feira, maio 08, 2009
quarta-feira, maio 06, 2009
O mundo é velha cena ensanguentada
O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.
Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.
Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,
Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!
Manias! - Cesário Verde
sexta-feira, maio 01, 2009
Meu Maio
A todos que saíram às ruas,
De corpo-máquina cansado,
A todos que imploram feriado
As costas que a terra extenua
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário - este é meu maio!
Sou camponês - este é o meu mês!
Sou ferro - eis o maio que quero!
Sou terra - o maio é minha era!
Meu Maio - Vladimir Mayakovsky
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