Terça-feira, Abril 29, 2008

Livros...

Uma casa sem livros é como um corpo sem alma.

Cícero

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Lorca

Yo pronuncio tu nombre
en las noches oscuras,
cuando vienen los astros
a beber en la luna
y duermen los ramajes
de las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
de pasión y de música.
Loco reloj que canta
muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
en esta noche oscura,
y tu nombre me suena
más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
y más doliente que la mansa lluvia.

¿Te querré como entonces
alguna vez? ¿Qué culpa
tiene mi corazón?
Si la niebla se esfuma,
¿qué otra pasión me espera?
¿Será tranquila y pura?
¡¡Si mis dedos pudieran
deshojar a la luna!!

Si mis manos pudieran deshojar - Federico García Lorca

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Segunda-feira, Abril 28, 2008

No tempo dos segredos

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Adeus - Eugénio de Andrade

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Domingo, Abril 27, 2008

Tv..

A TV é muito educativa. De cada vez que alguém a liga, vou para outro lado ler um livro.

Groucho Marx

Sábado, Abril 26, 2008

Nude with Calla Lilies


Nude with Calla Lilies - Diego Rivera
(1944)

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Sexta-feira, Abril 25, 2008

Esqueceram várias sementes!

Tanto Mar - Chico Buarque

1975
(primeira versão)

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim


1978
(segunda versão)

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim


(a primeira versão, de 1975, vetada pela censura brasileira, festejava a Revolução de Abril e apelava por melhores tempos na sua pátria. A segunda já apontava os desvios e as desilusões que se sentiam)

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

Metáfora

O homem é um ser que se criou ao criar a linguagem. Pela palavra, o homem é uma metáfora de si mesmo.

Octávio Paz

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Terça-feira, Abril 22, 2008

Duas palavras.. e uns riscos...

Nos dias quotidianos
é que se passam
os anos.
Millôr Fernandes

Outono na Baviera - Wassily Kandinsky

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Segunda-feira, Abril 21, 2008

Deita-te comigo.

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Entre os teus lábios - Eugénio de Andrade

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Quinta-feira, Abril 17, 2008

Com os dentes

Com os dentes
Defenderei cada polegada da minha pátria
Com os dentes

E não quero nada em troca dela
Mesmo que me deixem pendurado
Nas minhas veias

Aqui permaneço
Escravo do meu amor...
à cerca da minha casa
Ao orvalho...e às géis flores do campo

Aqui continuo
E não poderão derrubar-me
Todas as minhas dores

Aqui permaneço
Com vocês
No meu coração

E com os dentes
Defenderei cada polegada da terra da pátria
Com os dentes

Tawfiq Zayyad (poeta palestiniano)

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Quarta-feira, Abril 16, 2008

Sartre

Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana, os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem.

Jean-Paul Sartre

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Sexta-feira, Abril 11, 2008

L'Indolente


L'Indolente - Pierre Bonnard

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Quinta-feira, Abril 10, 2008

Maldito seja Copérnico!

- Maldito seja Copérnico!
- Oh, oh, oh, o que Copérnico tem a ver com isso? - exclama padre Eligio.
- Tem sim, padre Eligio. Porque quando a Terra não girava...
- Mas ela sempre girou!
- Não é verdade! O homem não sabia disso e, por conseguinte, era como se não girasse. Para muitos, ela continua a não girar também agora. Eu falei que girava, outro dia, a um velho camponês; sabe o que ele me respondeu? Que era uma boa desculpa para os bêbados.

em
O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello

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Segunda-feira, Abril 07, 2008

Hora do banho...


Max Beckmann

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Domingo, Abril 06, 2008

Como todos os filhos dos homens

O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.

em O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago

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Quarta-feira, Abril 02, 2008

FP

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

Teus olhos entristecem - Fernando Pessoa

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