Como é fácil quando se alcançou
a felicidade, como tudo
é simples.
Quando tu e eu, meu amor, nos beijamos,
como é simples ser feliz.
Tu esqueces, porém,
quanto tempo estiveste
sem me encontrar
e quantas vezes
te desviaste
até cair de cansaço.
E certamente
tu não sabias
que eu andava à tua procura
e que o meu coração se ia desviando
para a amargura
ou para o vazio.
Não sabíamos
que se seguíssemos em frente, em frente,
a direito, a direito,
sempre, sempre,
tu me encontrarias
e eu te encontraria.
Vês, assim acontece
aos povos:
não sabem,
não compreendem,
podem enganar-se,
mas seguem sempre
e encontram-se,
encontram-se a si mesmos,
como tu me encontraste,
e então
tudo parece simples,
mas não foi simples
andar às cegas.
Pablo Neruda
domingo, novembro 30, 2008
Assim acontece aos povos, segundo dia do XVIII Congresso do PCP
sábado, novembro 29, 2008
Ergamos a taça, primeiro dia do XVIII Congresso do PCP
Ergamos a taça
pela musa,
pelos que não esquecemos
e pelos que reconstroem,
pelos que caíram
e continuam a viver
em toda a parte,
porque vasto é o mundo
e sempre em toda a parte
caiu o sangue,
o mesmo:
o nosso sangue.
Pablo Neruda
sexta-feira, novembro 28, 2008
quinta-feira, novembro 27, 2008
Jardins da memória
Tive a coragem de olhar para trás
Os cadáveres dos meus dias
Assinalam o meu caminho e eu choro-os
Uns apodrecendo nas igrejas italianas
Ou entre os limoeiros
Que dão ao mesmo tempo e em qualquer estação
A flor e o fruto
Outros dias choraram antes de morrerem nas tabernas
Fustigados por ardentes ramos
Sob o olhar duma mulata que inventava a poesia
E as rosas da electricidade abrem-se ainda
Nos jardins da minha memória.
Tive a coragem de olhar - Guillaume Apollinaire
em O Século das Nuvens, Assírio & Alvim 2007
quarta-feira, novembro 26, 2008
Poesia
A poesia é um jogo em que os poetas manejam cartas desconhecidas deles próprios.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, novembro 25, 2008
sábado, novembro 22, 2008
sexta-feira, novembro 21, 2008
Actualização da lista de leituras...
- Entrevistas - André Breton
- Madame Bovary - Gustave Flaubert
- Poemas - Victor Hugo
- A ciganita - Miguel de Cervantes
- A queda de um anjo - Camilo Castelo Branco
- A câmara clara - Roland Barthes
- The Rotenberg Collection : Forbidden Erotica
- Quanta bondade! - Quino
quarta-feira, novembro 19, 2008
terça-feira, novembro 18, 2008
Virá o dia
Houve Tibério, houve Judas, houve Dracon;
Temos Lambessa, não temos já Montfaucon.
Forjam-se correntes para o povo; aí se oprime,
Se exila, se proscreve o pensador livre e firme;
Tudo sucumbe. Reprimem-se anseios e saudade,
O direito, o futuro, o progresso, a liberdade,
Como fazia Séjan, como fez Luís XI,
Com suas leis de ferro e juízes de bronze.
Depois - está bem: - adormece-se, o mestre clama:
O homem já não tem alma, o céu já não tem chama.
Ó sonho dos tiranos! a hora é chegada,
A seara cresce, a água corre sob a arcada.
Virá o dia em que as leis de silêncio e morte,
Rompendo de repente sob um impulso forte,
Reabrirão com estrondo as portas mal fechadas,
Enchendo a cidade de tochas inflamadas.
Victor Hugo
Poemas, tradução de Manuela Parreira da Silva, edição Assírio e Alvim
segunda-feira, novembro 17, 2008
Uma receita para o Dadaísmo
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Tristan Tzara
quinta-feira, novembro 13, 2008
terça-feira, novembro 11, 2008
Deixa-os ser
São parvos, não rias deles,
Deixa-os ser, que não são sós;
Às vezes rimos daqueles
Que valem mais do que nós.
António Aleixo
domingo, novembro 09, 2008
sábado, novembro 08, 2008
Um dia não são dias...
Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem.
Marcel Proust
quarta-feira, novembro 05, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
Máscaras
Não queres usar máscara diante do teu amigo? Prestas-lhe uma honra,
apresentando-te a ele, tal como és? Mas é precisamente por isso que ele
te manda para o DIABO!
Nietzsche
segunda-feira, novembro 03, 2008
Mayakovsky
A arte não é um espelho para reflectir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.
Vladimir Mayakovsky
sábado, novembro 01, 2008
A poesia como o amor faz-se na cama
A poesia como o amor faz-se na cama
Seus lençóis desfeitos são a aurora das coisas
A poesia faz-se nas matas
Isto não se apregoa aos quatro ventos
Não é conveniente deixar a porta aberta
Ou chamar testemunhas
Acto de amor e acto de poesia
São incompatíveis
Com a leitura do jornal em voz alta
A câmara dos sortilégios
Não cavalheiros não é a oitava Câmara
Nem os vapores da camarata ao domingo à noite
O abraço poético como o abraço carnal
Enquanto dura
Impede toda a fugida sobre a miséria do mundo
Poèmes - André Breton
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