quarta-feira, abril 25, 2007

Nós não esquecemos

33 anos depois lutamos para que se cumpra Abril depois de Abril. Não esquecemos os que desde 74 não pararam de trair o seu Povo. Mas também não esquecemos os que andaram lado a lado com ele! A ti, Vasco, o verdadeiro Homem Novo.

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias mastros lábios, tudo ardia.
O comum da terra - Eugénio de Andrade

terça-feira, abril 24, 2007

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare

Vinicius de Moraes

À Rita, Bárbara, Lara, Ricardo, Paulo, David e, apesar de tudo, Hugo.

quarta-feira, abril 18, 2007

Cegueira genética ou amorfismo instruído?

Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a cegueira não é incurável - e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
José de Almada Negreiros

De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje.
excerto de Elogio da Dialéctica - Bertolt Brecht

quarta-feira, abril 11, 2007

Faces redondas

Porém, mesmo do ponto de vista das coisas mais insignificantes da vida nós não somos um todo materialmente constituído, idêntico para todas as pessoas, e de que cada um não tem mais que tomar conhecimento, como se se tratasse de um livro de contabilidade ou de um testamento; nossa personalidade social é uma criação do pensamento alheio. Até o acto tão simples a que chamamos «ver uma pessoa que conhecemos» é em parte uma acção intelectual. Preenchemos a aparência física do ser que vemos com todas as noções que temos a seu respeito, e, para o aspecto global que nos representamos, tais noções certamente entram com a maior parte. Acabam por arredondar tão perfeitamente as faces, por seguir com tão perfeita aderência a linha do nariz, vêm de tal forma matizar a sonoridade da voz como se esta fosse um envoltório transparente, que, cada vez que vemos esse rosto e ouvimos essa voz, são essas as noções que reencontramos, que escutamos.
in No caminho de Swamm - Marcel Proust

terça-feira, abril 10, 2007

O que ando a ler..


Besta de Estilo - Pier Paolo Pasolini
Editora - Livros Cotovia
Teatro - BESTA DE ESTILO é a mais anómala das tragédias de Pasolini, não só pela duração da composição, de 1966 a 1975, num contínuo trabalho de acumulação de materiais que revela um impulso interior maior do que nas outras cinco, mas também pelo seu valor autobiográfico. A obra conta efectivamente o percurso de um homem que parte da decisão de ser poeta em virtude de uma sua sensualidade ‘diversa’, aqui simbolizada pela masturbação no canavial, e de um amor à sua própria terra rural, e que passa depois pela consciência política, chegando finalmente à definição do estilo, ao escândalo da Heresia e à consagração pela cultura oficial. Mais informação aqui.




Vida de Moravia - A. Moravia/A. Elkann
Editora - Livros do Brasil
Nascido Alberto Pincherle, em 1907, de uma família burguesa, o escritor italiano trocou o nome para Alberto Moravia por medo das perseguições anti-semitas mussolinianas durante a Segunda Guerra. Sob este nome escreveu 40 livros, traduzidos para 35 idiomas, e sob este nome igualmente deixou uma vida quase épica, onde foi testemunha consciente das inúmeras transformações de nosso século. Intérprete da elite cultural italiana e européia, Moravia foi um dos mais importantes personagens do seu tempo e deixou nessa entrevista concedida a Alain Elkann mais que uma biografia: uma autobiografia que é um compacto painel do século XX. Elkann pergunta, em ordem cronológica, sobre a infância de Moravia, a doença que o manteve preso à cama durante anos, os amigos, os amores, as viagens, o cinema, a literatura... e tudo foi superlativo na vida desse escritor não só de romances, mas de contos, ensaios, peças, reportagens, críticas de cinema e roteiros. "Sou parte do cinema italiano", diz Moravia, que escreveu cerca de dois mil artigos de crítica cinematográfica e teve seus romances adaptados para pelo menos vinte filmes. Amigo de Pasolini, Bertolucci, Rosselini, Moravia também apresenta uma galeria de nomes ligados a muitas áreas e que realmente representam este século, como Sartre, Camus, Fidel Castro, Mao Tse Tung, Tito, Godard, Maria Callas, Norman Mailer, Arafat, Italo Calvino, entre tantos outros. Alain Elkann pergunta e Moravia responde, sem economia de detalhes, com a mesma agudeza de raciocínio e fina sensibilidade que sempre o caracterizou. Estranhamente, Vida de Moravia terminaria mesmo confirmando o clima de testamento - um "testamento intelectual" - que o livro nos passa já nas primeiras páginas. Alberto Moravia morreria pouco depois de receber do editor italiano um exemplar desse livro, no dia 26 de setembro de 1990.

quinta-feira, abril 05, 2007

Queria tornar-me romancista

Ao mesmo tempo porém queria tornar-me romancista, talvez para narrar aquilo que teria querido fazer e na realidade não fazia.
Alberto Moravia

quarta-feira, abril 04, 2007

Which Classic Novel do You Belong In?

Se tivesse escolhido não seria este.. até pq ainda nem o li.. mas já estava em lista de espera.. :P

Which Classic Novel do You Belong In?




I believe you belong in Pride and Prejudice; a world of satire and true love. A world where everything is crystal clear to the reader, and yet where new things seem to be happening all the time. You belong in a world where your free-thought puts you above the silly masses, and where bright eyes and intelligence are enough to attract the arrogant millionaire/prejudiced young woman of your choice.
Take this quiz!