Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Dia 2 de Março.. LUTA!
Meus senhores, é mesmo um problemaEsse Desemprego - Bertolt Brecht
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!
Porque o desemprego atinge já mais de 8% da População (16% no caso dos jovens)..
Porque temos os salários mais baixos da Europa e o custo de vida continua a aumentar..
Porque o Estado e o sector Privado apostam cada vez mais no trabalho precário, recusando a negociação colectiva e utilizando contratos individuais de trabalho de tempo cada vez mais reduzido, recibos verdes (forma ilegal de contratação para postos de trabalho permanente) ou mesmo a inexistência de qualquer vínculo de trabalho..
Simplesmente porque o Governo quer trabalhadores do século XXI com direitos do século XIX!!
Dia 2 de Março (sexta-feira), Acção Nacional de Luta Convergente de todos os trabalhadores portugueses! Manifestação em Lisboa! NÃO FALTES!
Sábado, Fevereiro 24, 2007
Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
Quis-te tanto que gostei de mim!
Quis-te tanto que gostei de mim!Homem transportando o cadáver de uma mulher - Almada Negreiros
Tu eras a que não serás sem mim!
Vivias de eu viver em ti
e mataste a vida que te dei
por não seres como eu te queria.
Eu vivia em ti o que em ti eu via.
E aquela que não será sem mim
tu viste-a como eu
e talvez para ti também
a única mulher que eu vi!
Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007
Não me peças palavras, nem baladas
Liebespaar - Otto MuellerNão me peças palavras, nem baladas,Soneto de amor - José Régio
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
Etiquetas: Amor, Pintura, Poesia
Sábado, Fevereiro 17, 2007
Quanto de ti...
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraçoQuanto de ti, Amor... - Jorge de Sena
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na auséncia indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.
Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Questão
Por que nascemos para amar, se vamos morrer?Carlos Drummond de Andrade
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido
ao sentido de viver, amar, morrer?
Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
Vinte e cinco anos
...in Autografia I - Mário Cesariny
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti
...
Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
E assim diz o povo...
..in Ao passar a ribeirinha (Música Popular)
Minha mãe casai-me cedo,
Que me dói/ a passarinha!
Ó filha coç'à c'o dedo,
Que eu também/ cocei a minha!
..
Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Que fiz eu da vida?
Chove. Que fiz eu da vida?Fernando Pessoa
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, 'stou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
Já não sei fazer as pazes
A contas com o bem que tu me fazesInquietação - José Mário Branco
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda
Etiquetas: Amor, Letras, Poesia
Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
O amor..
O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto.Miguel Esteves Cardoso